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sábado, 18 de junho de 2011

DEUS, CIÊNCIA, SICÔMOROS – O JOGO DO MISTÉRIO – PARTE I

DEUS, CIÊNCIA, SICÔMOROS – O JOGO DO MISTÉRIO – PARTE I


Por Alberto Couto Filho 


A última das beotices do senhor Marcos Feliciano, PhD em Teologia da Absurdidade, sobre a progênie de um fantasioso casamento de Jesus, foi publicada em vários blogs. 
Assombrei-me ao ler num excelente blog o comentário de um possível adepto daquela teologia (de tantas e tantas, não sei quantas), um estúpido diletante em polemizar.
O conteúdo da análise e reflexão daquele comentarista parecia mais um regurgitório de asneiras onde, cientificamente, pude identificar quatro tipos de humor:
Disfórico (ânimo desagradável); Corrosivo (crítico/provocador); Lábil (eufórico/depressivo); Auto-depreciativo (seus defeitos a serviço da diversão).
Pasmo, li dizer-se consciente da absurdeza contida em suas próprias e nefandas observações. Por lá, citando uma das célebres frases de Albert Einsten, comentei sobre a infinitude do universo e da estupidez humana, em que aquele cientista declara ter dúvidas, apenas, sobre o universo. Querem saber? Eu também.
Contudo, aquele incomparável mestre da CIÊNCIA, em minha irrelevante opinião, estupidificou-se ao celebrar, na sua juventude, um DEUS determinista e mecanicista que não teria dado ao homem o livre-arbítrio quanto ao seu querer, e o teria feito, tão somente, quanto ao seu empreender, o seu fazer.
Tento, mas não consigo "gostar de gostar" desse gosto pela polêmica, diante dos arcanos do nosso Deus. É que vejo nesta postura, um jeito bisonho e impertinente de se expressar quanto aos mistérios do Altíssimo.
Triste é observar, na postagem do Feliciano, na comentação daquele analista e de outros tantos teologastros, a ignorãncia de que entre a estupidez e a absurdidade a margem é tênue.

Eu digo aos amigos gostar muito das contemplações e das frases do Albert e reafirmo, aqui, esta minha predileção. Aprecio, por exemplo, esta sua frase: “O ESPÍRITO CIENTÍFICO, FORTEMENTE ARMADO COM SEU MÉTODO, NÃO EXISTE SEM A RELIGIOSIDADE CÓSMICA".
Esta frase alude a um intrincado princípio filosófico cuja latência - o não-manifesto, o inexplicável, e o incógnito, representam o “pano de fundo”, uma parte do contexto desta minha mensagem, algo dogmatizado apenas por nós, cristãos autênticos, como uma verdade de fé, inacessa à racionalidade - O MISTÉRIO.
Sempre que a inteligência humana, qualquer que seja ela, tentar interpretar os desígnios de Deus irá se defrontar com o mistério; irá esbarrar nele. Às vezes, quando isso acontece, vem à luz a absurdidade, munida de contrassenso, contraditos e disparates, frontalmente colidentes com o senso comum.

Acontece que, por hábito, depositamos toda a idéia de nossas convicções na parte perceptível do mistério com o qual nos defrontamos. Esquecemos de que além daquilo que percebemos como palpável e objetivo, há algo que se alimenta da substância etérea, da imponderabilidade de Deus e nela se abriga uma parte que chamamos de essência por não distinguirmos, exatamente, tudo o que nela é contido.
Corroborando este hábito, na próxima postagem (PARTE II), citarei o texto bíblico “Zaqueu o publicano” – (Lucas 19: 1-10), na seqüência do contexto desta mensagem, reportando-me à Botânica Bíblica, aos SICÔMOROS, e à natureza humana das plantas.

O eminente pastor Luiz Fernando, editor do blog  “FORÇA PARA VIVER”, com rara felicidade, identificou o deputado Marcos Feliciano, autor da baboseira sobre o DNA de Jesus, como um pseudo-intelectual que por achar o espiritual algo demeritório ao seu diminuto intelecto, passou a valorizar a absurdidade, as coisas absurdas, e o faz, ostentando uma vaidade grotesca, próxima ao risível.
Escrevi para o meu amigo pastor Guedes que o Deus das nossas vidas é bem assim; simples assim:
Sempre que um tipo como o deputado Feliciano propõe-se a desvendar um arcano qualquer proposto pela sua imaginosa inteligência, o Criador “rapa fora”, escapando da visão humana; escondendo-se em algum lugar como num passe de mágica, e o incita a procurá-lO.
Nesta típica brincadeira de “esconde-esconde” com o herético, Deus provoca a criatura vaidosa a avançar, evoluindo continua e inesgotavelmente, na busca do conhecimento.

A comprovação da verdade buscada por materialistas e pelos contemporâneos teólogos liberais e humanistas, que contestam a existência de Deus mediante o conhecimento científico, está fundamentada, e eu duvido que saibam, nos “modos de conhecimento” de Platão, distribuídos num conhecido diagrama, dividido em partes desiguais: Uma por ele chamada “invisível” corresponde ao mundo inteligível, e é maior que a outra, a parte “visível”, correspondente ao mundo sensível.
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O mundo sensível é menor do que o mundo inteligível, mas, em cada um deles, a divisão oferece duas metades de mesma extensão.
Tem-se no mundo sensível como modos de conhecimento a imaginação e a crença, enquanto que no mundo inteligível temos o raciocínio dedutivo e a intuição intelectual (Quase Ciência).
Parecendo insatisfeito com esta sua filosofia, ele próprio afirmava que bem dentro do homem habitava um tipo de sabedoria latente, um conhecimento secreto, misterioso ligado à sua natureza essencial. Observem o mistério que, gradativamente, vai se revelando.

A influência platônica, bem mais tarde, levou Santo. Agostinho a indicar o caminho que sugeria a solução do problema das relações entre a Razão e a Fé que, numa depurada concepção platônica chegou a afirmar: Não procure fora. Entra em si mesmo. No homem interior habita a verdade.
Dessa forma, ele estava apresentando uma nova versão da teoria das idéias, baseada no Cristianismo, visando explicar como o mundo foi criado.
As idéias divinas responsáveis pela criação de tudo e de todas as coisas, são modelos eternos, não submetidos a mutações. Essas idéias vivem na própria mente ou sabedoria divina conforme as Sagradas Escrituras e não em um “mundinho” apartado conforme o preconizado por Platão.

Continuemos com o jogo do mistério.
Lembro Einsten, mais uma vez: “DEUS NÃO JOGA DADOS COM O UNIVERSO”. E, o faço, para chegar ao, ainda não comprovado, valor científico do colisor de hádrons, enquanto Hawking e seus parceiros espantam-se diante do absurdo, de evidências incontestáveis da existência de Deus. Chego a pensar e a formular uma pergunta que, aqui, bem dentro de mim, não quer calar: O que seria proclamado ao mundo, como uma asserção, quando a própria ciência tangenciasse o próprio mistério divino?
Hawking, no entanto, já teria afirmado que “Não só Deus joga dados com o universo, como joga em lugares onde o homem não pode saber o resultado do jogo”.

E o que temos? Temos que esse “Jogo de Dados” prossegue, sendo imprevisível o seu resultado. Nem a fé, nem muito menos a razão, oferece-nos condições para acessarmos esta região que se oculta sob o véu do mistério.
Melhor do que provar a participação do Senhor na construção do universo é negar a Sua existência. Para as inteligências mais iluminadas, é preferível acreditar nas evidências, esquecendo-se de que mesmo eles, como todos nós, são um mistério, há muito construído. Nosso conhecimento não vai além do que é, puramente, epistemológico. Do conflito/confronto entre a fé e a razão não se adquire passagem que nos permita viajar por essa dimensão não explorada.

Retornarei ao imponderável de Deus e à Sua Palavra, em minha próxima postagem, para participar deste jogo do mistério, reportando-me ao texto que fala sobre Zaqueu, o publicano, no Evangelho de Lucas (Lc 19:1-10).
Estou persuadido intimamente, de que naquele sicômoro (ficcus sycomorus), naquela figueira-amora, uma das mil espécies existentes, está encerrada parte do mistério com que nos defrontamos naquele texto bíblico.
O mistério? Deus é o mistério que, de forma intocável, se apresenta como um arcano insolúvel para a Ciência.
Pobre homem! Quanta frustração diante do “quase nada“ conseguido! Quanta decepção ante o mistério, quase palpável além de transcendente, nesse percurso pontilhado por contradições e paradoxos!
Estou convencido de que Deus, em certas ocasiões, se deixa tocar por uma incursão intelectual que é:
Quase ciência, além de filosofia;
Quase arte, além de sonhos;
Quase nada, além de tudo.

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